27/08/2025
Nayara Rosolen – Equipe CNU
Domingo no Centro e o concerto Sinfonia Solidária, ambos realizados em Curitiba (PR), são os próximos palcos para apresentações da Orquestra Uninter. O grupo, formado pela comunidade interna e externa à instituição, tem conquistado cada vez mais espaço no cenário cultural da capital paranaense, e leva ao público apresentações que unem técnica, sensibilidade e diversidade de repertório. As próximas apresentações reforçam não apenas a proposta de aproximar a música da comunidade, mas também de utilizar a arte como instrumento de inclusão e transformação social.
Para a maestrina Valentina Daldegan, cada espetáculo é uma nova oportunidade de levar música de qualidade a diferentes públicos e ocupar espaços importantes da cidade. Como a apresentação no Domingo no Centro, que acontece em frente ao edifício Garcez, às 10h do dia 31 de agosto. No entanto, o concerto beneficente em prol do Complexo de Saúde Pequeno Cotolengo, na Capela Santa Maria, às 20h do dia 18 de setembro, carrega um valor ainda mais especial, ao unir a música à causa social da Sinfonia Solidária.
“Acreditamos que a arte tem o poder de sensibilizar e transformar, e quando ela se coloca a serviço da solidariedade, seu impacto é ainda maior. É uma honra para a Orquestra contribuir com esse movimento, unindo cultura e responsabilidade social”, declara Daldegan.
Também idealizador do grupo, o clarinetista Willian Sales afirma que o grupo tem vivido “uma fase muito especial”, com o crescente número de apresentações e “uma receptividade incrível do público”. O que, de acordo com o instrumentista, mostra não apenas o amadurecimento do grupo, mas também o poder da música de conectar pessoas e transformar ambientes.
“A cada nova apresentação, renovamos nosso compromisso com a excelência e com a democratização do acesso à cultura. É bonito ver como a diversidade de trajetórias, histórias e vivências dos músicos se reflete na riqueza da pluralidade das nossas apresentações. Para o futuro, espero que possamos continuar ampliando nossos horizontes, levando a Orquestra a lugares ainda mais diversos e tocando o coração de mais pessoas”, acrescenta Sales.
Em maio deste ano, os instrumentistas abriram a temporada de 2025 no Memorial de Curitiba, local que os recebeu pela quarta vez, com plateia cheia. Os concertos das duas próximas apresentações são compostos um repertório dedicado às trilhas sonoras do cinema.
Qualidade e democratização do saber musical
Hebert Nascimento, 51 anos, é multi-instrumentista e toca profissionalmente em shows e eventos há mais de 30 anos, desde o início da década de 1990. Começou na Orquestra Uninter em 2023, no violão, mas no segundo semestre já se tornou o primeiro baterista do grupo. Foi esse instrumento que o motivou a ingressar, no intuito de o desenvolver mais dentro de uma Orquestra, assim como a sensibilidade dinâmico-musical proporcionada com os demais músicos.
O multi-instrumentista ainda toca guitarra, piano e baixo, mas até o momento só havia trabalhado com grupos menores de jazz e blues em ambiente de banda. Para Hebert, a relação com a música é “vital”. Ele agradece aos líderes pelas portas abertas no projeto, que considera “tão acolhedor” e que promove a música de qualidade em Curitiba, e a todos os colegas de grupo, “pelos maravilhosos momentos de convivência”.
“A experiência tem sido muito gratificante e de crescimento. O grupo recebe músicos de todas as idades. Fiz amigos e reencontrei outros de longa data, o que proporciona um ambiente muito agradável de boas vibrações. Sem esquecer de que é uma grande honra tocar com grandes músicos do cenário em Curitiba. Espero poder continuar, dentro das minhas possibilidades, a contribuir para o desenvolvimento desse incrível trabalho”, deseja Hebert.
Foi também em 2023 que Cecília Ayaco Francisco, 43 anos, decidiu desenvolver na Orquestra Uninter uma trajetória que iniciou em 1996, quando começou a tocar bateria na igreja. Desde então, ela fez aulas particulares, cursou algumas temporadas no Conservatório de Música Popular Brasileira (MPB) e sempre esteve envolvida em projetos musicais de bandas. O ensaio semanal do grupo foi o motivo que a fez querer participar.
“As práticas em conjunto são muito valiosas, porque, em geral, um instrumentista estuda sozinho, e tudo faz mais sentido quando o som ressoa em uma banda ou grupo musical. Além disso, nossa maestrina sempre busca oportunidades para nos apresentar em eventos, o que aumenta o engajamento nos ensaios e incentiva ainda mais os estudos. Ela tem uma sensibilidade incrível para montar repertórios emocionantes, que sempre tocam o público e nos motivam ainda mais”, conta.
Cecília explica que, embora se considere uma instrumentista amadora, por não ter conhecimentos técnicos avançados ou uma formação formal, os músicos de todos os níveis são integrados, o que democratiza o saber musical e faz do gruo “um espaço extremamente acolhedor e inspirador”.
Com a chegada do filho, que completa um ano neste 28 de agosto, Cecília, que é mãe solo e “de primeira viagem”, destaca que a Orquestra ganhou um papel ainda mais importante após a maternidade. “Me resgata do universo materno e me reconecta com quem eu sou. Principalmente nesse primeiro ano, tão intenso e cheio de mudanças, a música tem sido um respiro fundamental”.
Bacharel em Educação Física e mestra em Exercício e Saúde, Cecília realizou uma especialização em Gestão, Comunicação, Marketing e no Esporte na Uninter. Como voluntária na percussão da Orquestra, concorreu a uma bolsa de estudos e conquistou 50% de desconto na mensalidade do MBA em Gestão Esportiva.
A Orquestra Uninter é uma realização da área de Pós-graduação do Grupo Uninter, representada pelos idealizadores e coordenadores de cursos Valentina Daldegan e Willian Sales, e o projeto é mantido como um programa permanente da Fundação Wilson Picler.
Edição: Larissa Drabeski
Créditos da fotografia: Rafael Lemos