18/08/2025
Nayara Rosolen – Equipe CNU
O Coro Margareth Picler levou um “sopro de humanidade” para os pacientes do Hospital de Clínicas (HC), em Curitiba (PR). Em meio aos desafios físicos e emocionais do ambiente, o dia 29 de julho de 2025 foi marcado por uma apresentação que proporcionou não apenas entretenimento, mas também o bem-estar, o acolhimento e a conexão entre os músicos e os atendidos pela instituição.
De acordo com a professora da Escola Superior de Educação, Humanidades e Línguas (ESEHL) da Uninter e maestrina do Coro, Jeimely Bornholdt, há estudos e práticas que mostram a contribuição da música no processamento de sentimentos, e reconexão com as próprias histórias, quando inserida com “sensibilidade e propósito”.
“Contribui diretamente para a humanização do cuidado. Além dos pacientes, os profissionais de saúde também se beneficiam. A arte no hospital promove alívio emocional, reduz o estresse e fortalece os vínculos entre equipes, pacientes e familiares. É uma forma de lembrar que, por trás de cada prontuário, existe uma pessoa com sonhos, medos e esperanças”, ressalta Jeimely.
A maestrina destaca que, para os músicos, a experiência permite ampliar o repertório humano e artístico, por meio do desenvolvimento da empatia e reafirmação do papel social da arte. Durante a passagem pelo local, os coralistas cantaram canções como “Somos”, “Amigo Velo”, “One Day”, “Amavolovo”, entre outras.
De paciente à coralista
Para a coralista Maria Angélica de Lara, de 27 anos, a visita teve um significado mais profundo. Em 2021, a jovem pegou Covid-19 e passou 23 dias na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do HC. Ela conta que boa parte do período esteve em coma, 11 deles entubada e os outros traqueostomizada. Quando saiu da fase mais crítica, ainda passou três dias internada em um quarto.
“Foram dia difíceis”, salienta Maria Angélica, mas também destaca que fez diferença ser tratada por profissionais humanizados. Embora o distanciamento social não permitisse ações e visitas como esta que o Coro realizou, a coralista afirma que toda a equipe sempre tentava algo diferente para aliviar os dias dos pacientes dentro do HC.
“Essas ações aliviam a tensão que é estar dentro de um hospital, alegra quem está em um momento de dificuldade e também para seus acompanhantes”, ressalta.
Maria Angélica conta que retornar ao local gerou “um misto de emoções”. “Relembrar tudo lá dentro, desde a chegada até a saída, olhar os corredores onde passei quase um mês… Voltar, e agora com mais saúde, podendo levar alegria e música para as pessoas que estavam lá, ver olhos marejados e pessoas cantando junto, agradecendo, foi muito gratificante”, declara.
Como integrante do Coro desde 2023, ela conta que a aproximação com a música se deu por incentivo da mãe. E afirma que fazer parte do grupo representa mais do que cantar. “É sentir-se parte de algo maior. É compartilhar emoções, criar laços e viver a música como um elo que une pessoas e histórias diferentes”, garante.
Realizado e promovido pelo curso de Música da Uninter, o Coro Margareth Picler é mantido pela Fundação Wilson Picler. O projeto acontece no formato híbrido, em ensaios semanais que reúnem pessoas de maneira presencial e online, com coralistas de diferentes regiões do Brasil. Maria Angélica lembra que não é necessário ser profissional, “basta ter vontade de aprender, cantar em grupo e compartilhar bons momentos”. Por isso, indica para todos a participação.
Edição: Larissa Drabeski
Créditos das imagens: Acervo do Coro Margareth Picler